O uso da tecnologia na escola

O tom de voz calmo e a maneira de didática de falar, já deixam rapidamente  claro que a vocação de Cesar Nunes é ensinar. O pesquisador da Faculdade de Educação da Unicamp é especialista em desenvolvimento e avaliação de criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas e foi convidado para ser o coordenador acadêmico da sexta edição do Congresso Pesquisa do Ensino, que discutiu a o uso da tecnologia na sala de aula. Tarefa que desempenhou com maestria.

A Revista Giz conversou com o professor para entender como foi feita a escolha dos nomes que participariam do Congresso e qual mensagem o evento pretendia passar aos seus participantes. As melhores partes dessa conversa estão a seguir.


Quando o tema ‘tecnologia na educação’ foi escolhido, qual a mensagem que a organização do Congresso queria passar aos participantes?

Quando o Congresso começou a ser desenhado, eu participei da escolha dos palestrantes e da composição das mesas. A Comissão científica já tinha a intenção de mostrar que a tecnologia não é uma panaceia, não é uma mágica que vai resolver nossos problemas, visto que nossas questões são complexas.

Nós, enquanto sociedade, estamos em um momento de transição, em que se faz necessário repensar o que é educar e até mesmo a própria escola.

O que queríamos para o Congresso era que ele oferecesse um olhar com pé no chão. E isso foi visto nas discussões, nos relatos de experiências. Mostramos que existe um caminho, que temos bons exemplos de como segui-los, que dá pra se inspirar em várias coisas, como as transformações estão acontecendo, mas não há uma receita pronta.

Qual foi a lição mais importante do 6º CONPE?

Para mim, a lição mais importante do Congresso foi mostrar que para cada questão apresentada há diversos caminhos a serem seguidos. Para inspirar os participantes, trouxemos bons exemplos de cada um desses caminhos.

Você poderia dar um exemplo?

Nas mesas-redondas primamos por ter sempre três olhares diferentes para a mesma situação. Por exemplo, como usar os recursos educacionais?

Tínhamos o produtor: a editora que está produzindo o material e tem uma intenção que é a venda. Mas a empresa sabe que é necessário ter um produto de qualidade, que cativa.

Por outro lado, há quem defenda que toda a produção precisa ser aberta, de livre acesso. Ora, mas nossa sociedade se estabilizou num modelo de compra e venda.

Quando se fala que aquilo é de graça, se começa a mexer no papel do professor. Vêm as questões: ‘Então aquilo que eu produzo também é gratuito? As aulas nós ministramos também serão de livre acesso parta todos usarem? E o meu material didático também é aberto?’ Daí se percebe que há discussões sérias por trás.

Já o terceiro olhar desta atividade foi o de quem está dentro da escola, na sala de aula, usando os recursos.

Essa composição de três olhares foi pensada em todas as mesas-redondas e isso já mostra que a organização não tentou uma receita pronta, mas justamente mostrar a riqueza desses olhares e a possibilidade de apreciar três visões distintas e aí sim se posicionar acerca daquela situação.

No último dia de Congresso, você participou da mesa-redonda ‘Competências socioemocionais, ética e responsabilidades’. Como você avaliaria o papel da escola na formação do aluno enquanto cidadão?

Acho que o dia de encerramento do 6º Congresso Pesquisa do Ensino foi um dia feliz. De podermos olhar como as escolas estão trabalhando com o que vai além do disciplinar, como o desenvolvimento das competências emocionais, o desenvolvimento moral-ético e os alunos numa responsabilidade social, intervindo na prática.

Tudo isso, está além do que os professores já faziam, é um desafio para a escola. Então começamos a nos questionar: ‘Quem está fazendo isso? Como é que isto está sendo feito? Onde estão as dificuldades? Que cidadão eu queria formar? Então é muito bacana ouvir isso.

 

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